Palavras.
Palavras cheias de significados explicitados por outras palavras.
Palavras vazias que saem dos lábios inverossímeis.
Palavras para entreter, apelar, distrair, esquecer.
Palavras por todos os cantos, ainda incapazes de traduzir.
Palavras formadas por sílabas, letras, fonemas.
Formando frases, sentenças, diálogos, poemas.
Palavras que julgam e condenam o à morte.
Palavras que fazem, realizam e aplicam.
Palavras de ordem, de prazer, de poder, dominação.
Palavras que abusam, manipulam, machucam.
E palavras bondosas, gentis, bem aplicadas.
Palavras leves, tolas, formando histórias desconexas.
Palavras que lembram momentos, que matam lembranças e renascem em sorrisos.
Palavras que destroem o silêncio, o pensamento, quebram uma vasta solidão.
Palavras dispensáveis, que me amortecem, consolam, acariciam.
Palavras que me levam pra outro mundo,
Que o chamam, para o meu mundo.
Enquanto significados, profundos, me escorrem mudos pelos olhos.
A entregar calados, tudo o que as palavras não podem dizer.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
O Casarão.
Casarão vazio, chão de madeira, porta-retratos pelos móveis, espelhos e quadros nas paredes.
Um frágil espectro bailando no salão, rodopiando memórias, indo e vindo, um fantasma perdido no passado. Uma flor se apagando no vendaval do tempo.
Fora do casarão, um céu se prostrava cinza sobre o chão de Terra. E enquanto as árvores morriam, as folhas secas farfalhavam,dando ritmo à melodia.
As coisas ali empoeiradas eram mortalmente cheias de vida, contando a história de outra época, outros sonhos.
Sonhos que a vida despedaçou friamente com sua realidade muitas vezes cruel.
A imagem da pequena criança inocente brincando, da mãe acariciando seus cabelos, do pai narrando contos de fada, sendo a doçura sempre a cura, cada pedacinho de vida que passara por ali marcados, agora à ir ao chão roído pelas pragas, junto com o Casarão.
-Trecho escrito no mínimo, 5 anos atrás.
Um frágil espectro bailando no salão, rodopiando memórias, indo e vindo, um fantasma perdido no passado. Uma flor se apagando no vendaval do tempo.
Fora do casarão, um céu se prostrava cinza sobre o chão de Terra. E enquanto as árvores morriam, as folhas secas farfalhavam,dando ritmo à melodia.
As coisas ali empoeiradas eram mortalmente cheias de vida, contando a história de outra época, outros sonhos.
Sonhos que a vida despedaçou friamente com sua realidade muitas vezes cruel.
A imagem da pequena criança inocente brincando, da mãe acariciando seus cabelos, do pai narrando contos de fada, sendo a doçura sempre a cura, cada pedacinho de vida que passara por ali marcados, agora à ir ao chão roído pelas pragas, junto com o Casarão.
-Trecho escrito no mínimo, 5 anos atrás.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Maiden's Kiss
Quantas vezes chorou sozinho e com medo, acuado pela escuridão?
Quantas vezes deixou de seguir um sonho e de arriscar tudo?
E quantas vezes entregou seu corpo futilmente pra guardar seus segredos, calar a mente? Mas quantas vezes entregou seu ser, de fato?
E quantas vezes será que não foi em silêncio, adorado por quem tanto bem te queria?
Quantas lágrimas não tirou? De quanto medo será que não foi a causa? E de quantos prazeres vazios não foi você, o segredo?
Quantas vezes não foi um abraço, a máxima expressão do medo de perder até o que não se tem?
E quantos beijos não lhe extasiaram a carne enquanto alguém controlava os impulsos mais primitivos só pra jamais lhe afastar?
Quantas vezes, alguém não abriu mão do próprio sorriso, da própria segurança, do próprio conforto só pra ver o seu resplandecer? E abriu mão dos instintos e do egoísmo só pela tua Glória?
Quantas vezes, você tentou ver naquela decadência toda, consequências nervosas, saia curta e botas longas demais a Donzela que entregava lhe quaisquer forças que inda pudesse juntar dos seus restos e tudo o que tinha, confiança, caráter e sentimento?
Quantas vezes você pode ver, a ingenuidade de querer proteger a ti com a ausência?
Quantas vezes você pode notar que em virtude à admiração que tu cativas, jamais partiria dela qualquer ousadia que ultrapassasse o limite da intimidade?
Quantas vezes você pode ver a Donzela a lhe beijar por trás dos olhos manchados, que se traem quando você chega perto?
Quantas noites, tentou chegar aos seus sonhos que mais que o sorriso inseguro e a donzela docemente apaixonada, trancada no coração de um monstro havia na distância, a essência da alma selvagem, filha dos Lobos e irmã dos Ursos, abençoada pelo voo das águias e pela atenção cega dos Morcegos amando não como amam os homens, que amam essencialmente a presença, o toque, o instinto... E sim como amam as feras muito antigas, que choram sorrindo e sabem viver com cicatrizes, mas não suportariam ver a infelicidade, o rancor e o desprezo de quem tanto bem quer.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Conexão Selvagem.
Por vezes, inda insisto nessa pequena obsessão chamada “passado”
Que as vezes veste o manto fúnebre da tristeza e me sufocar os sentidos num cortejo de agonias
Mas agora é apenas saudade...
Simples e calada, pacífica como aquelas noites de fantasia e ternura
Nenhum olho havia sido coberto pela poeira do tempo
E cada íris negra ocultava um Universo cujo brilho tão puro se equiparava à beleza do Céu a nos proteger em Liberdade
A Lua transformava homens em silhuetas brilhantes, iguais e cercados de Luz
Mas enquanto o vento regia uma canção de uivos, piares e farfalhar de folhas, minhas pupilas dilatadas continuavam capazes de enxergar as cores do Universo desses olhares.
E um dia a névoa do tempo foi tornando aquelas noites cada vez mais disformes e cobertas com o véu de dias depois
E fomos levados pra longe, longe.
E no alto do penhasco eu era incapaz de chorar ou sentir medo e então me sentei sozinha por horas e horas em silêncio, noite após noite apenas ouvindo o que me diziam através do vento e da água da chuva
Até que enfim, o sibilar da serpente chegou.
E a solidão do Lobo que caminha em meio ao Gelo cessou com um Uivo soprando as verdades que o vento levou.
E então, humildemente me ajoelhei aos pés da Terra e por entre o tempo, lancei mil vezes meu Espírito para que respeitosamente o mantenha Seguro e no Caminho terno do Amor
E que o meu Lobo uive ao teus ouvidos a Gratidão de tudo aquilo que me destes.
E então em meu peito resta apenas o Saber e a memória carinhosa é apenas Paz, não pelo caminho triste que se separou mas pela marca que deixou pro futuro.
Eu ainda ouço as Vozes ao Vento e o Farfalhar das folhas, o Uivo ao longe, o piar da coruja, o correr da água serão pra sempre a nossa Música.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Lady In Red.
Meninas são em seus tons pastéis, princesas bailando em seus
vestidos de bala de coco.
O meu contraste ofende os olhares no salão.
Olhares que respondo com a verdade do fundo dos meus.
Eu sou vermelho.
Maçãs, rosas, fogo, sangue, carne, libido e paixão. Pimenta
que reina.
Abro caminho com a alvura da pele roubada das brancas
estrelas, pela escuridão que os olhares lançam.
Elas querem ser vistas dançando, sonhando e
rodopiando.
Eu quero derreter suas máscaras, desanuviando suas mentes,
limpando as teias de seus olhos.
Vermelho.
De lábios ardentes e da fileira do meu próprio sangue que
escorre por eles.
Elas são princesas suaves, delicadas, perfeitas, de lábios
brilhantes e bochechas coradas e olhos alegres voltados a mirar belas casinhas
brancas cercadas por corações.
Enquanto minha cara manchada revela as olheiras e
inconsequente, limpo a mente e me entrego ao agora, esqueço, desafino a canção
sem vergonha.
Elas engolem suas mágoas e sorriem com suas coroas douradas
brilhando suaves ao sopro da brisa.
Eu choro, machuco, desmonto e destruo, me explodo, costuro e
começo de novo. Eu erro e me lanço do abismo. E me apaixono pelo lado mais feio
de mim.
Elas precisam de um príncipe combinando, de sorriso aberto e
olhos sinceros, sem mistérios que jamais as faça chorar e as ensine a voar.
Eu não quero o seu príncipe. Somente lamber-lhe a essência,
saborear até o último gole da sua alma, lança-lo a parede, revelar o mistério,
cravar-lhe os dentes, encontrar seu vermelho, contemplar com um sorriso seu
mais ofensivo contraste. Pouco importa onde se encontrem seus braços, eu só quero desvendar e ter cada milímetro de alma.
Eu só quero dançar nua, em branco e vermelho, manchada com cicatrizes de cortes profundos, sentir o prazer luxurioso da afronta a me
percorrer como uma onda de pequenos espasmos pelo simples fato de se estar aqui
e agora sob a luz da Lua, ao vento, debaixo da tempestade.
Elas querem sorrir o tempo todo, perfeitamente bonitas e
claras, cor de rosa em suas casas alinhadas e corretas, politicamente suaves e
cor de rosa, com seus príncipes suaves, e crianças engomadas cheirando sempre à
sabonete e tendo sempre suas ações, sonhos e sentimentos, todos perfeitamente
cor de rosa e agradáveis aos seus ritos morais.
Enquanto eu só quero respirar tudo agora, sem jamais me
arrepender, arriscar, sentir, ousar, sempre sem culpa. Sentir o prazer que a
dor dá, e arreganhar meu sorriso vulgar contemplando o máximo da jornada nesse
Jardim das Delícias Terrenas, conhecer sem pecado, sem pudor, sem me corromper,
amar de verdade, me entregar de verdade, viver de verdade.
Eu sou contraste. Completamente Luz. Branco e Vermelho.
A batida do coração bombeando o sangue, o impulso da vida.
E o suave sopro da morte que o faz calar, desbotando aos poucos seus tons.
A batida do coração bombeando o sangue, o impulso da vida.
E o suave sopro da morte que o faz calar, desbotando aos poucos seus tons.
Eu vou tocar seus rostos e queimar, leva-los comigo,
inflamar o mundo ao meu redor, acender em vermelho essas mentes adocicadas e
amaciadas.
E ai vou dançar, rodopiando na noite, ditando a canção no meu vestido rasgado. Vermelho.
Tingir nessa dança, com o fogo passional até que seu último
crepitar transforme tudo no Cinza sereno e pacifico do fim, fim de noite, alvorecer em meios aos escombros.
Escombros de quem fomos, do que fomos e que agora somos. Sou.
Vermelho.
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