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domingo, 23 de setembro de 2012

O Pulcinella: Marionete das engrenagens.

Um dos meus últimos trabalhos pra fora. Um alívio termina-lo depois de tantas pedras no caminho e uma felicidade e realização imensas pelo feedback que ele me deu :) Homônimo ao poema.

O Pulcinella: Marionete das engrenagens.

Por: Mariane Dorateotto.

Já não respira, já não sente, já não vive.
O sol envelhece e a água enferruja.
Fios e parafusos o inspiram e ele deixa que o aço o engula.
Monstros de chips e lata.
Já não existe coração
Foi forjado numa fábrica, mastigado, limitado e vomitado.
Sem pensamentos, olhos de vidro vagam vazios.
O homem deixa de existir, deixa o sonho e o ter pra trás pra ser... 
Tecnologia.


Nota final: Pulcinella (no Brasil “Polichinelo”) é um personagem da Commedia Dell’arte que representa os contrários, no caso do pequeno poema sendo estes o calor do afeto humano e a frieza das máquinas. 


sábado, 15 de setembro de 2012

Ao futuro.

Pretendia procurar hoje uma música mas o dia passou e nenhum sentimento veio, deixo então a projeção do futuro pelos olhos de novamente, Augusto dos Anjos.
E quem diria, já naquela época alguém notava a decadência na qual o Homem entrava.
E quem diria, chegariam tempos em que aquelas palavras acordariam gritando verdade.



Idealização da Humanidade Futura
-Augusto Dos Anjos.

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
-Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!-

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação