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sábado, 13 de outubro de 2012

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,

-Bocage
Calavera.- Última Arte digital.

Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
 De meus desgostos secretária antiga!

Pois manda Amor que a ti somente os diga
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel que a delirar me obriga.

 E vós, ó cortesão da escuridade,
 Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar o meu coração de horrores.

sábado, 15 de setembro de 2012

Ao futuro.

Pretendia procurar hoje uma música mas o dia passou e nenhum sentimento veio, deixo então a projeção do futuro pelos olhos de novamente, Augusto dos Anjos.
E quem diria, já naquela época alguém notava a decadência na qual o Homem entrava.
E quem diria, chegariam tempos em que aquelas palavras acordariam gritando verdade.



Idealização da Humanidade Futura
-Augusto Dos Anjos.

Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
-Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais!-

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação